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Kat Wood


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Uma flor nasceu em mim, é feia, ainda desbotada, mas é realmente uma flor. Rasgou a pele da melancolia e foi criando raízes em minh’alma. De um modo estranho, posso sentir-me desabrochar através dela, e de um modo mais estranho ainda, as raízes me deram asas através das pétalas que se desprendem e voam livremente com o vento.
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    São teus olhos, baby, e o modo como estão dispersos no teu rosto. Alheios, distraídos, fatais. N’outro mundo para o qual os meus desejam ardentemente serem arrastados, sem volta. Embriagada de um pecado com toda a intensidade da palavra, porém fútil como o ato de arrancar uma flor do solo só pelo prazer de tê-la nas mãos. Já estão cansados de me ouvir falando sobre teus olhos, baby, agora você sabe. Aliás, é o que mais emana deles, ar de quem me têm nas mãos como um bilhete de fácil compreensão. Mas eu sou um livro, cujo título ainda lhe é mistério. Você não me olha, me assiste, como se minhas pupilas dilatassem transformando-se em telas onde passam cenas dos meus pensamentos mais íntimos. Enquanto assiste, tua expressão é sempre a mesma: olhos e boca que sorriem metade ironicamente, outra metade - simpatizo-me muito mais com esta - indecifrável. Porém engana-se, e eu rio de ti escancaradamente enquanto presta mais atenção em tentar não deixar transparecer a tua perdição. Mergulha nos meus olhos procurando respostas, mas se perde em meus labirintos a cada vez que mordo os lábios. E você é quem foi arrastado. Nesse jogo de perdições, ainda há o indecifrável, bem me lembro, que se converte em uma inocência tão pura que o meu divertimento derrete-se e faz-me olhar-te assim também, destila os desejos momentâneos e solidifica os futurísticos. Se não me controlo quase grito que te amo. Este sei que entendes bem, e se aproveita. Tua vez de jogar os dados, seis-seis. Beija-me suavemente, eleva-me as nuvens e traz-me de volta ao chão, zonza. Só há tua mão para me segurar, e me seguras. Me tens nas mãos e sou totalmente tua. Lança-me mais uma vez aquele olhar tão odiável e tão amável, com ar de superioridade e inocência. E eu deixo, eu deixo o jogo continuar e tu continuares fingindo que me conhece melhor que eu mesma. Eu deixo, pois bem sei também que chegará minha vez de rolar os dados e, baby, se você realmente lê-se pensamentos como tenta transparecer pelos olhos, não estaria perdendo tempo com joguinhos. 

Natália Sossai.

“Capitu chamava-me às vezes bonito, mocetão, uma flor; outras pegava-me nas mãos para contar-me os dedos. E comecei a recordar esses e outros gestos e palavras, o prazer que sentia quando ela me passava as mãos pelos cabelos, dizendo que os achava lindíssimos. Eu, sem fazer o mesmo aos dela, dizia que os dela eram muito mais lindos que os meus. Então Capitu abanava a cabeça com uma grande expressão de desengano e melancolia, tanto mais de espantar quanto que tinha os cabelos realmente admiráveis; mas eu retorquia chamando-lhe maluca. Quando me perguntava se sonhara com ela na véspera, e eu dizia que não, ouvia-lhe contar que sonhara comigo, e eram aventuras extraordinárias, que subíamos ao Corcovado pelo ar, que dançávamos na lua ou então que os anjos vinham perguntar-nos pelos nomes, a fim de os dar a outros anjos que acabavam de nascer. Em todos esses sonhos andávamos unidinhos.”  Machado de Assis, Dom Casmurro

(Source: c-o-r-a-l-i-n-a)

Quem dera ainda fosse segunda-feira.

Foi o que ouvi na escada, foi aquele barulho imperceptível. Foi a angustia da procura por vales inabitados. Eu entendo. Eu ouvi. Eu só não nos desejei numa rua cheia, numa praça vazia. Não desejei que fossemos os estranhos em um ponto de ônibus. Eu lembro do tapa, lembro das lágrimas que não desceram, só não lembro como fomos parar ali. Ao sair de casa lembrei do casaco, das falas no espelho, lembro de olhar o céu e pedir por nós. Mais um dia de olhares mortos, mas de sorrisos vividos na esperança de só mais outro dia. Usei os meus conselhos em situações retoricamente incabíveis, usei o perfume que ganhei, mas não usei as lágrimas que encomendei. O céu nos deu a quinta-feira para morrer e nem assim soubemos aproveitar o vento que fazia. Não soubemos fazer com que o frio nos doessem as juntas, nem arrepiasse os pelos da perna. A mentira nos fez escravos e só eu fui refém de um contrato assinado com o sangue que me escorreu dos olhos. O que cuspi não era verdade. Eu ainda ia sentir saudade se fosse embora, eu ainda ia querer sentir teu sentir em mim. Eu ainda falo de um passado a menos de três horas atrás, eu ainda comento como nós o que não nos resta. Humanamente quebrados, nossos cacos de solidão não poderiam ser emendados naquela hora, nem naquele mês. Porque então pensar que teríamos a eternidade do amanhã, se o hoje nos humilha e nos empurra no abismo de incertezas? Porque pensar que seriamos eternos, se somos o que restou do que seriamos? Porque só tínhamos a esperança, nada mais nos cabia a três noites atrás.

Hélida Carvalho

(Source: recantos)

Por fim as cortinas fecharam-se e os risos cederam. Ouviram os sinos do silêncio, tomaram suas echarpes no braço, deram o último gole de whisky caro e foram embora. Mas eu ainda permaneço na poltrona, observando o que não resolve se esvair. Permanece intacto desde o primeiro pincelar de olhos e me faz culminar nomes, sentimentos, sempre com a mesma sensação de querer encontrar o gosto da água e sorrisos em bolhas de sabão. Outro dia joguei da janela uma embalagem de bala de iogurte e desejei que ela viajasse no vento, pousando finalmente na a ponta do seu nariz. Deixaram de fabricar tais balas há um tempo, nunca mais fiz bolhas de sabão. Estava muito escuro e eu não quis chorar – pela primeira vez. Bastou as luzes acenderem-se para que, sem sair do lugar, eu desejasse com fogo nos pulmões que alguém me levasse para casa. Acho que sempre temi esquecer o caminho de volta, não estamos mais em uma cidade pequena e todos aparentam ser estranhos para mim. Não mais do que eu mesma, vai ver a paisagem nunca foi o problema maior. Tentei tantas vezes mudar de roupa, de vida, de gosto musical, a fim de dançar no ritmo de qualquer música, qualquer dia, de pijama ou roupa de banho, mas sempre acontece algo.  Começo o passo com um sentimento e termino com dor nas costas. Esqueço-me de qualquer coisa que deva ser lembrada, há uma espécie de bloqueio responsável por essa efemeridade. Eu já tentei domesticar minhas palavras, para que elas soassem mais jubilosas, mas para quem eu estava escrevendo, afinal? Vai ver essa coisa que às vezes é dor, outras vezes amor, outrora saudade, fome ou frio tenha de ser passageira mesmo. A garganta chega a latejar por quase aceitar esse maldito dito mais antigo do que a posição de você sabe a que estou querendo me referir: tudo passa. Com a chegada do outono não só as folhas pendem das árvores. Vou me misturando aos pergaminhos queimados parecidos com folhas, depois varridos para o longe, deixando uma vaga lembrança do que foram. Em todo outono as folhas voltarão. Ainda sentada observando o receptáculo de tantos devaneios, agora as luzes acenderam-se de vez. Sem chorar. Apenas com o sentimento de papel queimado e delineado pelas chamas, deixando cinzas por toda a parte. Com o desejo de saborear balas de iogurte na janela, e depois dedicar bolhas aos estranhos, novos e antigos, que reinarão sobre mim.

Bruna Cassiano

(Source: ultrajes)

Eu queria ter a mania clássica de escrever em folhas de papel em branco. Mas as minhas histórias ultimamente são de tristeza. Não me pergunte onde estão as paixões, as mansões, os carrões nem os carões dos amigos, ou qualquer coisa de um sonho bobo. Eu sou simples no vestir, no andar, no olhar, no falar e até no ar que me cerca, mas eu vou aderindo a tecnologia desse novo mundo e ao invés das linhas falhas de um caderno de brochura, vejo o meu monitor que me endoida com esses tais “pixels” que confundem toda a minha cabeça. Depois não sabem porque os jovens de hoje em dia, até os que tem mais mania de velho, escrevendo, compondo, se apegando ou se achegando, ficam loucos. Vamos botar a culpa nos pixels.

— Luiz Henrique, a culpa é dos pixels. (via velhomoinho)

O aproveitador

       Anos, meses, dias, minutos e segundos guardando a alma dos mortais entre os braços. Não, não é abraço. Nem amaço. Eu apenas me fazia de guarda-volumes.

E me aproveitava de cada uma! 

Eu não era bobo nem nada 

às furtava e usava de inspiração na madrugada. 


O dono que se ferrava. 

Caído nos braços no cansaço, 

Rendido. Fraco! 

Com o peso da alma

(Cheia de palavras)

(Source: astrois)

E foi o caos:

Já se passaram dois meses desde que aquele casal de rostos perfeitos - eu ainda acho que são deuses - apareceram na TV no horário nobre parando todas as programações para darem aquela notícia que abalou o mundo com proporções irreais:

Depois de vários debates e muito se pensar no assunto, eu, minha empresa e o conjunto de pessoas que compõe-a, resolvemos esclarecer ao publico que a partir de amanhã não iremos mais produzir o refrigerante coca-cola.

Gritos, greves, grotescas mortes. O que quinze segundos interrompendo a novela não fazem com telespectadores viris. Sangue derramado, terror escancarado, os viciados contestando nas ruas, tudo em nome de quê? Em prol de quê?

E foi o caos; minha abstinência chegando a níveis críticos, meu sangue implorando por aquele açúcar escasso, meu suicídio aproximando-se. Lembro, e como lembro, oh Deus, quando todos os grandes mercados foram invadidos e saqueados, as distribuidoras vazias e o mercadolivre.com oferecendo dois litros por dois mil. Que terrível não ter dinheiro ou coragem pra roubar! 

Hoje, apenas hoje, depois de tanto tempo, sem explicações, sem indagações, descubro: 

Júnior Cunha, O Caos nos Deixa Mudos.

(Source: o-padre)

_ As putas da Augusta vão gripar
Só nós dois na sacada olhando as nuvens querendo despencar, e eu penso em voz alta ‘as putas da Augusta vão gripar’.
_ E lucrar infinitamente.
Sento na sacada, te agarro com as pernas, te puxo pra perto.
_ O frio potencializa qualquer solidão…
_ E é aí que as putas da Augusta entram.
Pego teu cigarro, trago fundo, passo a fumaça pra tua boca, você recupera o cigarro.
_ Quantos dilúvios até a Terra se acabar?
_ Não sei. Você acha que vai acabar inundada?
_ I don’t know.
_ Vamos fazer uma aposta?
_ Que aposta?
_ Eu acho que o planeta vai acabar numa implosão. Se encolhendo, sabe? Tipo um big bang ao contrário, vai tudo voltar ao ponto minúsculo que um dia foi. E o mundo, as sociedades, vão regredindo lentamente até isso. Como uma fita que é rebobinada devagar.
_ Marx fala um pouco disso, que os sistemas avançam até seu apogeu e depois não suportam a si mesmo e se superam, se transformam em outra coisa.
_ Foda-se Marx. Eu não tô falando de superação, tô falando de retrocesso.
_ Eu sei.
_ E então? Qual teu palpite? O mundo acaba de que jeito?
_ Um grande terremoto inunda um continente inteiro, (de preferência América do Norte) os oceanos transbordam com o volume, o mundo acaba primeiro em fogo, destroços, cidades desmoronando… Depois em água.
_ Sobreviventes?
_ Não, nenhum. E na tua teoria?
_ Não, claro que não.
_ Se eu acertar o que eu ganho?
_ O melhor sexo da tua vida.
_ Mas isso eu já tenho.
Respondi por impulso, ele riu.
_ Quem disse que eu tava falando de você?
_ Você, quando percebeu que falou demais e ficou vermelhinha.
_ Você nem viu se fiquei vermelha, tá escuro.
Ele passou a mão pelo meu rosto, eu virei, a cidade pulsava sem pausa.
_ Tua pele fica quente, teu rosto se aquece. Eu tô perto o suficiente pra sentir. E o que eu ganho se acertar?
_ Caso contigo.
_ No apocalipse?
_ Não gosto desses termos, mas se você prefere… Sim.
_ Puta que pariu. Tenho que esperar o mundo acabar pra gente se casar?
_ Você devia gostar, vai faltar tempo.
_ Pra que?
_ Pra gente se odiar. Não é o que quem casa sempre faz? Em um momento ou outro sempre faz.
_ Vou rezar hoje.
_ Really?
_ Yeah.
_ Quer se converter antes do fim?
_ Não, vou pedir pro mundo acabar. Vou tentar antecipar.
_ Boa sorte.

— Sofia (via sarcasmoeoutrosorgasmos)

E se você dormisse? E se você sonhasse? E se, em seu sonho, você fosse ao Paraíso e lá colhesse uma flor bela e estranha? E se, ao despertar, você tivesse a flor entre as mãos? Ah, e então?

Coleridge  

(Source: anjoinverso)

Se provocava, com medo de estar vazio.. até se encher de si.

— Gram; Vale a Pena (via tentando-em-notas-dizer)

“Eu diria que se um dia você quiser começar a escrever - não sobre sentimentos batidos, rimas gastas ou dívidas nunca pagas -, se um dia quiser se espremer, abrir uma ferida com a caneta, estancar o dedo no umbigo até tocar as entranhas, boa sorte. Você vai procurar a queda, de qualquer maneira, mas o fundo do poço não parecerá tão escuro. As paredes de lá são detalhadas com formas e cores e sonhos. Detalhes esculpidos a dedo, histórias que mudariam histórias, marcas que enlaçariam frutos, frutos que adoçariam marcas. As linhas vermelhas verticais e horizontais criarão vida, voarão para lábios, pescoços, poemas. A arte pela arte. Morte é vida que caiu em sono; é folha que esfarelou-se em gesto; é frio que descabelou-se pouco. Tudo se tornará pouco. Os pássaros não serão os mesmos, assim como as pessoas perderão o gosto anterior de adocicadas maçãs. O corpo se tornará templo, as mãos carregarão a culpa, os lábios entoarão pecados, os dedos espalharão mentiras. O segredo estará escrito em sua nuca, e você sempre achará que se contorcendo um pouco mais, conseguirá lê-lo. Os funerais se tornarão eternos, a noite estabelecerá seu trono, a música permanecerá inaudível, enquanto as coisas se despedaçarão no tempo. O cansaço chegará primeiro, o mistério pedirá passagem, o espelho permanecerá inerte, enquanto você esmurra a prata que lhe aponta falho. Falhará como homem, petrificar-se-á como pássaro, emudecerá como flauta, esquecer-se-á das promessas. Quebrará alianças, construirá muralhas, abraçará ruínas e virará passado. Passou-se, passaram, passou - virará tantos, beberá todos. Assinará seu nome nos pactos - mas quem é você? Assanhará as unhas para que elas fiquem excitadas ao sentir calor, quebrantará a alma por saber que de nada adiantará gritar. Surtará. Boa sorte se quiser tentar deixar de sentir as coisas de acordo com a ínfima carga que realmente possuem. Se um dia quiser partir da realidade, pular no aquário da desesperança, desencontrar-se nos retratos, nos bilhetes, nas pegadas, tenha boa sorte e, se me encontrar por lá, não me guie de volta para casa - não caberia mais morte nesse peito manchado.”

— Neemias Melo (via acoiteecruz)

Em Suas mãos, entregue teu espírito

(Eu sei que grito minha alma panteônica, que prego minha própria divindade, minha adoração ao místico e ao romantismo. Mas lê. Sem venda nos olhos. Lê desse meu lugar, dessa minha cadeira sem almofada, com essa minha vista cansada e dor nos ombros. Lê no silêncio. E tenta compreender dessa minha revolta e desistência).

Você sabe o quão afiados são os espinhos de uma laranjeira, poeta? Daquela onde você busca sombra e fura mil partes do corpo ao se sentar com descuido sob a copa? Daquela que te dá, em outonos, fruto azedo, bago amargo, suco podre? Silencia e capta a resposta em tua mudez. Algum dia você levantou de tua mesa marcada na biblioteca, poeta? Número quatro, contou-me a moça do balcão. Número quatro. Par para um suposto solitário. Em teu conforto, por ventura, chegaram-te calos em algum lugar do corpo além dos dedos? E do que diz ser teu calvário, mostra-me as marcas? E das chicotadas, prova-me com sangue em tua blusa? Escuta-me, porque eu sei que você desejou mais do que tudo viver, escuta-me, porque eu sei que você relatou mais do que tudo teus sonhos, escuta-me, porque eu sei que você intensificou mais do que tudo tua existência: Ergue dessa mesa e anda até o quintal, faz com os galhos de moro a coroa de tua testa enrugada e com o tronco escarlate traz nas costas a tua cruz. Você escreveu que sofrer e amar são redundâncias, mas nunca arqueou as costas ao sentir dor pungente por nenhum dos dois. Você segredou que mordeu os próprios pulsos ao ver-se tão hipócrita, mas teu falso segredo teve peso ainda maior como hipocrisia. Confessa teus pecados, poeta. Porque quem te vê com brilho nos olhos não sabe que, na verdade, do mundo você não sabe nada. As folhas te eram companhia, os lápis te eram escudos, o quarto te era fortaleza e a única variação dessa triste história que você rabisca e nem ao menos faz ideia era a troca dos lençóis da cama para se sentir renovado. Se o cheiro de limpeza te é tão apraz, por que conserva esse interior mofado? Você não responde. Porque só se comunica através do papel. E engana os leitores, tão sabiamente escolhendo as palavras. Poesia não se pensa, poeta, apenas se sente e ela jorra. Com dificuldade vença a serra, finque na encosta o teu castigo e suba, solitário, por si só e sozinho, proposital pleonasmo, como sempre foste e sempre insististe em ser, ou perseveradamente vomitaste com júbilo mais esta mentira, no pedestal que marcará o início da tua morte. Abre os braços. Suplica. Implora. Ninguém te assiste. Me diz, poeta, quantos são os significados desse verbo, assistir? Emprego-te todos. Agora, chora. De verdade. Pela primeira vez em todos estes teus anos terrenos. Chora a horda em que você é chefe e capanga, chora a falta de ordem que nunca tiveste, chora o excesso de bom-senso. Chora também minha ironia, poeta, falso, poeta, falso, falso, falso. Não cravo-te lança no peito, porque oro para que este tenha conserto numa outra vi(n)da. Faça uso da tua tão dita literatura e corretamente interprete minhas palavras: sinta-se. Por favor, renasça.

Claudia Calado